Dr. Alan Landecker - Cirurgia Plástica e Clínica de Estética

A Clínica
 

PARALISIA FACIAL

Paralisia Facial de Bell


A Paralisia Facial de Bell é uma paralisia do nervo facial (Sétimo Par Craniano) que resulta na inabilidade de contrair os músculos faciais no lado afetado. Várias condições podem causar uma paralisia facial, como por exemplo; tumores cerebrais e acidentes vasculares cerebrais. Porém, se nenhuma causa específica pode ser identificada, a condição é conhecida como Paralisia Facial Periférica ou de Bell. Nomeada pelo anatomista escocês Charles Bell, que primeiro descreveu-a, a paralisia de Bell é a mono neuropatia aguda mais comum que envolve o nervo facial, tendo inicio e instalação repentina. A incidência anual da paralisia de Bell é de cerca de 20 afetados para cada 100.000 habitantes.


Causas


Acredita-se que alguns vírus estabeleçam uma infecção persistente (ou latente) sem sintomas, como o vírus herpes zoster da face e o vírus Epstein-Barr, ambos da família herpes vírus. A reativação de uma infecção viral existente tem sido sugerida como causa da paralisia de Bell aguda. Estudos sugerem que esta nova ativação poderia ser precedida por trauma, fatores ambientais e transtornos metabólicos ou emocionais, sugerindo que por fim, diversas condições podem desencadear a reativação.


Diagnóstico


A paralisia de Bell é um diagnóstico de exclusão, por eliminação de outras causas possíveis. Logo, por definição, nenhuma causa específica pode ser confirmada. A paralisia de Bell é geralmente referida como idiopática ou criptogênica, significando que ela tem causas desconhecidas. Algumas doenças entram no diagnóstico diferencial, como a doença de Lyme e infecções pelo vírus herpes zoster.


Sinais e Sintomas


O nervo facial e seus ramos controlam diversas funções, como piscar e fechar os olhos, sorrir, alem da produção de lágrimas e a salivação. Ele também inerva os músculos estapédios da orelha interna e carrega as sensações de gosto dos dois terços anteriores da língua. Acredita-se que o quadro e causado por uma inflamação que leva ao inchaço do nervo facial. Como o nervo passa por um estreito canal ósseo atrás da orelha, este inchaço causaria compressão do nervo, levando à inibição da condução, lesão ou ate morte do mesmo.

A paralisia de Bell é caracterizada por uma flacidez facial no lado afetado, devida ao mau funcionamento do nervo facial, que controla os movimentos dos músculos da face. A paralisia ou fraqueza é freqüentemente, não obrigatoriamente, acompanhada de dor próxima da região do ouvido.

Os médicos devem determinar se o músculo frontal esta poupado. Devido a uma peculiaridade anatômica, os músculos da testa recebem inervação de ambos os lados do cérebro. A testa pode então ainda estar enrugada (inervada) em um paciente cuja paralisia facial é causada por um problema em um dos hemisférios do cérebro (PARALISIA FACIAL CENTRAL). Se o problema reside no próprio nervo facial (NEUROPATIA PERIFÈRICA) todos os sinais nervosos são perdidos, incluindo os que vão para a musculatura da testa.

O grau de lesão do Nervo Facial pode ser avaliado através da Escala de House-Brackmann:

ESCALA DE HOUSE-BRACKMAN

 

Grau

Função

Descrição

1

Normal

Função normal em todas as áreas

2

Disfunção leve

Leve fraqueza na inspeção cuidadosa

3

Disfunção moderada

Óbvio, mas não desfigurante

4

Função moderada-grave

Fraqueza óbvia e/ou assimetria desfigurante

5

Disfunção grave

Movimento pouco perceptível

6

Paralisia total

Sem movimento

Fonte:GREENBERG, 2003

 

Tratamento


Drogas antiinflamatórias e antivirais como a cortisona e o aciclovir são freqüentemente prescritas e devem ser iniciadas precocemente. Em pacientes com paralisia facial incompleta, nos quais o prognóstico de recuperação é muito bom, o tratamento pode ser desnecessário. Os pacientes que se apresentam com paralisia parcial ou completa, marcada por uma incapacidade de fechar os olhos e a boca no lado envolvido devem ser tratados. O principal cuidado deve ser com o olho, pois a pessoa não consegue, devido à paralisia, piscar o olho no lado afetado espontaneamente. Este deve ser protegido com colírios, pomadas e curativos para que não resseque demasiadamente, evitando assim uma permanente lesão na córnea e problemas de visão.


Fisioterapia na Paralisia Facial Periférica


O tratamento deverá ser adaptado e personalizado em função do déficit e da colaboração do paciente, podendo durar de 15 dias a 3 semanas, nos casos menos severos. Existem as seguintes modalidades:


• Massagem
• Eletroterapia
• Reeducação dos músculos da face
• Método de Kabat
• Estimulação com gelo
• Exercícios faciais


MASSAGEM


Existem vários tipos de massagens, entre as quais:


Drenagem Linfática:


• Se há ptose da pálpebra inferior com edema ou se há edema pós-cirúrgico é necessário utilizar a drenagem linfática.


Massagem dos Pontos Centrais:


• Fazer uma massagem bastante suave começando pelo ponto central ao nível da fronte (perto da raiz das sobrancelhas).


• Ao mesmo tempo massagear um ponto situado no terço anterior e linha mediana. Massagear bem estes pontos em fricções circulares, no sentido dos ponteiros de um relógio, e terminar com manobras de mobilizações do couro cabeludo. Ao nível da face propriamente dita, as manobras devem ser muito leves. Ao nível da fronte, na junção do ângulo temporo-maxilar externo e ao nível do nariz fazer uma massagem em forma de "8".


Massagem Endobucal:


• Esta massagem e feita muito suavemente e permitirá verificar as eventuais paralisias que podem surgir nos músculos Grande Zigomático, Bucinador, Triangular e Cutâneo do Pescoço. Se for este o caso, é necessário massagear fortemente estas hipertonias intrabucais e seguidamente estirar a bochecha progressivamente para baixo e para dentro, para o eixo de simetria, e mantê-la estirada durante alguns instantes. Só depois relaxa a pressão manual progressivamente.


• O Fisioterapeuta deve introduzir o 2º dedo (indicador), protegido por uma luva, na cavidade bocal e massagear a bochecha. Enquanto isto, o polegar deve estar no exterior, procurando os pontos de inserções dos músculos, pontos estes que têm que ser muito bem massageados. É necessário prestar atenção na reação do doente, visto que esta massagem ser bastante dolorosa. Após a massagem, deve estirar-se o músculo lentamente e manter o estiramento durante alguns segundos, relaxando progressivamente a pressão digital.


Eletroterapia


A eletroterapia só será útil na forma periférica das Paralisias Faciais e caso a estimulação manual não tenha dado resultado. Existem as seguintes modalidades:


• Correntes Galvânicas;


• Correntes Excito - Motoras progressivas de base exponencial.


As principais vantagens da utilização de Eletroterapia neste tipo de tratamento são:


• Diminuir o grau de atrofia muscular;
• Evitar a esclerose parcial do músculo;
• Manter a nutrição muscular e facilitar a eliminação dos exsudados, devido à sua influência trófica;


Re-educação dos Músculos da Face


A re-educação deve ser minuciosa, exigindo do doente bastante concentração, aprendizado constante e controle na frente ao espelho. Deve ser realizada diariamente, pelo menos duas vezes ao dia.

Previamente à reeducação, a hemiface afetada deve ser aquecida através da aplicação de calor úmido ou da drenagem linfática. A duração desta aplicação depende da fase em que o doente se encontra- assim sendo, na fase flácida deve ser aplicado calor úmido apenas durante 10 minutos, enquanto que na fase de hipertonia a duração não deve passar dos 15 minutos.

Os movimentos indicados ao doente neste tipo de tratamento deverão ser executados lenta e progressivamente na amplitude indicada. Estes exercícios não devem ser executados de forma forçada.


Método de Kabat


Este método, também conhecido como Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, promove e acelera as respostas dos mecanismos neuromusculares através da estimulação dos receptores.

De acordo com Adler, S.; Becker, D; Buck, M; 1999 (defensores do método de Kabat) o principal objetivo deste método e re-estabelecer o movimento normal dos músculos. Isto depende das ações integradoras do sistema nervoso central, da morfologia, da cinesiologia, do aprendizado do desenvolvimento motor e da conduta motora. Neste tipo de tratamento trabalham-se as partes mais fortes, irradiando energia nervosa para as mais fracas.


Os processos básicos deste método incluem:


• Padrões de Movimento: usa movimentos em massa, globais, que são executados nos três planos do espaço, feitos em diagonal e espiral. Cada setor do aparelho locomotor possui duas diagonais de movimento e cada diagonal tem dois padrões antagonistas entre si.

• Estímulo e reflexo de estiramento: fisiologicamente, é a mesma coisa. Na prática, o estímulo é o máximo de alongamento do músculo; é a posição do início de cada padrão, enquanto o reflexo de estiramento é a ultrapassagem rápida do limite dado ao estiramento.

• Tração – Aproximação – Contatos Manuais e Máxima Resistência: são utilizados para estimular os receptores da pele e daí a máxima resistência, que é variável de pessoa para pessoa, do tipo de contração muscular (isotônica ou assimétrica) e do tipo de movimento. Tem como principal objetivo a irradiação do estímulo nervoso.

• Comandos Verbais e Estímulos Visuais: essenciais para aplicação deste método.

• Seqüência dos Movimentos: nas paralisias faciais, os estímulos devem ter início na porção superior da face, mesmo que não seja esta a região mais afetada.


Estimulação com Gelo


Nesse tipo de tratamento podemos obter dois efeitos: o efeito analgésico e o efeito estimulante. Se quisermos um efeito analgésico, movimentos circulares lentos são realizados sobre uma pequena área (ventre muscular, ponto doloroso). Se quisermos um efeito estimulante (facilitar a atividade muscular), aplica-se o gelo de forma rápida e breve sobre o dermátomo da pele com a mesma inervação do músculo em questão.


Prognóstico


Mesmo sem nenhum tratamento, a paralisia de Bell tende a ter um bom prognóstico. Mais de 80% dos pacientes recuperam os movimentos da face de forma total.


Complicações


As principais complicações da paralisia de Bell são a perda crônica da gustação, espasmo facial crônico e infecções e/ou ulcerações da córnea. Para prevenir estas infecções, os olhos devem ser protegidos por tapadores ou encobertos durante os períodos de sono e descanso. Colírios de composição semelhante à lágrima ou pomadas oftalmológicas são recomendados, especialmente para casos com paralisia completa. Quando o olho não fecha completamente, o reflexo do piscar também é afetado, e cuidados devem ser tomados para proteger o olho de uma lesão.

Outra complicação chamada sincinesia pode ocorrer no caso de uma regeneração incompleta ou errônea do nervo facial lesionado. O nervo pode ser considerado como um grupo de pequenas conexões nervosas individuais menores que se ramificam para seus destinos próprios. Durante a regeneração, os nervos geralmente são capazes de localizar seu caminho tradicional para o destino correto - mas alguns nervos podem seguir um caminho colateral levando a esta condição conhecida como sincinesia. Por exemplo, a regeneração de músculos que controlam os músculos anexos ao olho pode fazer um caminho colateral e também regenerar conexões que atingem os músculos da boca. Desta maneira, o movimento de um afetará o outro. Por exemplo, o canto da boca levanta-se involuntariamente quando a pessoa fecha os olhos.

Além disso, durante a recuperação, uma parcela muito pequena dos pacientes pode exibir a síndrome das lágrimas de crocodilo, também conhecida como reflexo gustolagrimal ou síndrome de Bogorad. Nesta síndrome, as pessoas liberam lágrimas enquanto comem. Isso é creditado a uma regeneração inadequada do nervo facial, mais especificamente do ramo que controla as glândulas salivares e lacrimais.

Paralisia Facial Clínica do dr. Alan Landecker >

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Dr. Alan Landecker

  • Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo (FMUSP), CRM-SP 87043.
  • Formado em Cirurgia Geral no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (FMUSP).
  • Formado em Cirurgia Plástica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Serviço do Professor Ivo Pitanguy) e na Clínica Ivo Pitanguy.
  • Reconhecimento do diploma médico nos EUA (ECFMG/USMLE).
  • Estagiário clínico-cirúrgico e de pesquisa nas Universidades de Miami, Alabama at Birmingham, Pittsburgh, Chicago, Nova York e Texas Southwestern, EUA.
  • Especializado em rinoplastia estruturada primária e secundária (Rhinoplasty Fellow) pela University of Texas Southwestern at Dallas, Texas, EUA, sob o Dr. Jack P. Gunter.
  • Instrutor do Dallas Rhinoplasty Symposium, curso anual teórico-prático em rinoplastia, realizado anualmente em Dallas, Texas, EUA, 2006-2008.
  • Especialista em Cirurgia Plástica e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
  • Consultor científico na área de Cirurgia Plástica da revista Men´s Health Brasil.
  • Editor da parte de rinoplastia no site da PSEN (Plastic Surgery Education Network), site educacional oficial da ASPS (American Society of Plastic Surgery).
  • Membro da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).
  • Membro da Rhinoplasty Society (Sociedade Internacional de Rinoplastia).
Consulte o Curriculum Vitae do Dr. Alan Landecker para obter: participação em congressos, lista de aulas sobre rinoplastia estruturada primária e secundária em congressos nacionais e internacionais, lista de publicações científicas em revistas e sites nacionais e internacionais, lista de autoria de capítulos no livro “Dallas Rhinoplasty: Nasal Surgery by the Masters, 2nd Edition", Editora QMP, EUA e autoria de livros sobre a especialidade de Cirurgia Plástica.

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